"Sou taxista, algumas vezes o levei em meu taxi - sempre rezando o seu terço -. Visitei-o algumas vezes no Colégio São Luis e no ex-Hospital Matarazzo, recebi dele muitas bênçãos e exorcimos, segura orientação e algumas absolvições."
Enviado por: H.F.P
Publicado em: 27/4/2008

"Graças a Deus!

Era invariavelmente a frase inicial de um diálogo com o Pe. Afonso.

Tive a graça de conhecê-lo no final dos anos 70, ele era capelão do extinto Hospital Matarazzo, foi através de meu pai, que por sua vez conheceu o padre por intermédio do Sr. Raul Martini, que naquela época era o, digamos assim, "fiel escudeiro" do Padre.

O Padre Afonso era muito cativante, quer pelo seu jeito e bom humor, quer pela sua doçura que a todos encantava, e não foi diferente comigo que era um jovem de seus 18 anos e passei, então, a acompanhá-lo nas perigrinação às padarias nas madrugadas dos fins de semanas, indo buscar os pães e doces que seus "amigos padeiros" doavam", e depois ir distribuir o fruto da coleta em várias favelas, era um acontecimento, quando o Padre Afonso surgia com sua batina preta e o tradicional chapéu preto dos jesuitas, fuçando nos enormes bolsos da batina, que dava a impressão que comportariam folgado uns dois Jô Soares, algumas medalhinhas de Nossa Senhora das Graças para distribuir as dezenas de crianças que o cercavam, era uma cena inesquecível! Parece que estou ouvindo suas gargalhadas típicas seguidas dos inúmeros: - Graças a Deus, Graças a Deus, Graças a Deus...!

Outra característica marcante do Padre Afonso era sua disponibilidade constante, atendia a todos, sempre com bom humor, e era uma fila enorme ao lado da sacristia da capela do hospital. E quando a gente dizia: Chega Pe. Afonso, o senhor ainda não comeu nada hoje! Ele respondia: Ah, meu filho! Sou como minha mãe, não sei dizer não! E realmente não sabia. Tanto que após alguns anos, já quando o Hospital Matarazzo havia fechado, e a sua saúde estava mais debilitada, o pessoal do Colégio São Luiz, onde ele morava, dificultava o acesso a ele, para poupá-lo.

O Padre Afonso era também muito engraçado e "seus casos" repleto de bom humor.

Um caso: (era assim que ele próprio começava a narrativa) "Certa vez peguei um táxi e logo que entrei, o motorista, um evangélico, me vendo de batina e chapéu já se mostrou incomodado, e durante todo o trajeto veio falando mal de Nossa Senhora, dizendo, inclusive, coisas pesadas sobre ela e sua virgindade. Eu vinha todo o trajeto calado e rezando o terço, chegando ao destino, acertei a corrida, enquanto o motorista continuava esbravejando contra a Santa Virgem. Ao sair me virei para ele e disse bem pausadamente: 'Meu caro, se o seu deus é um filho da p..., o Meu não é!' E fechei a porta do carro."

Era uma figurinha premiada!

Lembro também que quando estava aspergindo água benta durante uma benção, sempre passava uma gota na cabeça e dizia rindo: "É pra não ficar caduco!" E morreu lúcido com 98 anos.

Era um Sacerdote de Deus, amava muito à Eucaristia e a Nossa Senhora, tema constante de suas homilias; não obstante a sua simplicidade, era homem muito culto e douto. Tinha vários títulos mas sempre contava: "Eu era muito burro, estava no seminário desde os oito anos, queria ser padre, mas nada entrava na minha cabeça! Então fiz um trato com Nossa Senhora (não me lembro de que tenha dito qual foi o trato), e hoje sou doutor de Filosofia e de teologia. Graças a Deus!".

Padre Afonso era resumindo: a Alegria de Deus personificada. Estava sempre alegre, rindo; e não que não sofresse, ao contrário, quem o conhecia bem sabia o quanto sofria nas mãos dos homens, mas isso não era o bastante para tirar a sua alegria, era o inverso, quanto mais sofria, mais alegre estava.

E continuo ouvindo: HA, HA, HAAAA!!!!! Graças a Deus, Graças a Deus!

Padre Afonso, obrigado, e rogai por nós!
"
Enviado por: M.B
Publicado em: 7/1/2008

www.PadreAfonsoRodrigues.org